Política

JHC silencia sobre morte de bebês em hospital gerido pela Prefeitura de Maceió

Candidato ignora investigações por negligência contra o Hospital da Cidade e critica maior ciclo de investimentos em saúde da história de Alagoas

Por Assessoria 16/09/2026 17h23
JHC silencia sobre morte de bebês em hospital gerido pela Prefeitura de Maceió
No dia 3 de agosto, o bebê Nicolas Ravi nasceu prematuro na recepção do Hospital da Cidade, sem assistência - Foto: Reprodução

Candidato ao governo de Alagoas, o ex-prefeito João Henrique Caldas (PSDB) mantém o silêncio sobre as mortes de dois bebês no Hospital da Cidade, comprado durante sua gestão em Maceió, num espaço de um mês. Apesar das mortes em sequência, investigadas pela Polícia Civil de Alagoas (PC/AL) a partir dos indícios claros de negligência, JHC tem criticado a saúde estadual e prometido levar o “padrão” da unidade para todo o Estado.

No caso registrado no dia 3 de agosto, o bebê Nicolas Ravi nasceu prematuro na recepção do Hospital da Cidade, sem assistência. Caiu no chão da unidade e morreu 22 minutos depois. A cena foi filmada e causou revolta nas redes sociais. A mãe, Morgana Lopes, de 21 anos, aguardou atendimento por mais de cinco horas.

Em suas redes sociais, Morgana expressou a dor pela perda do filho que esperava. “Eu não consigo entender, mas tô tentando ser forte. Você não sabe o quanto eu estava ansiosa preparando tudo pra sua chegada, eu estava tão feliz em saber que ia ter meu tão sonhado menininho. Quando eu vi você, meu coração partiu em mil pedacinhos, meu mundo desmoronou, você tão pequenininho. Tão perfeitinho, com o nariz da mamãe. Isso parece um pesadelo. Sentir toda aquela dor, passar por todo esse processo sem você comigo, é a maior dor que eu já senti”, lamentou.

O descaso se repetiu no dia 8 de setembro. As mesmas cinco horas de espera foram vividas pela mãe de Henry, que chegou a passar pela triagem do Hospital da Cidade e permaneceu esquecida até o momento em que o parto de emergência tornou-se inevitável.

“Fizeram exame de toque nela, viram que a criança estava coroando. Assim mesmo, mandaram ela pra triagem e deixaram ela lá. Quando foram olhar ela pela segunda vez, ela já tava sangrando. Já tinha sangue pela sala, o chinelo dela cheio de sangue. Foram lá fazer o exame, aí correram com ela pra sala de cirurgia”, contou a avó da criança, Rita de Cássia.

Prima de Morgana Lopes, Eliane Correia manifestou a revolta da família com a morte de Henry. “A verdade é que a gente não espera, né? A gente entra com o sonho de sair com ele no braço, não da forma que ele saiu”, afirmou a profissional autônoma.

“É muito triste pra gente, porque a gente acredita nos profissionais de nível superior e quando a gente chega no momento que a gente mais precisa deles, quando chega lá, simplesmente a gente é descartado e fica lá até o momento que realmente a gente não está mais aguentando. Isso tem que parar”, disse Eliane. Assim como o caso Nicolas Ravi, a morte de Henry também está sendo investigada pela Polícia Civil.


JHC (Foto: Reprodução)

JHC ignorou os dois casos e manteve o discurso de “hospital modelo” para Alagoas.

O Hospital da Cidade foi comprado pelo então prefeito JHC por R$ 266 milhões, recursos repassados pela Braskem no acordo de compensação assinado com o Ministério Público Federal (MPF) pelos danos causados pela exploração de salgema que afetaram cinco bairros da capital.

A unidade foi inaugurada por JHC antes de sua conclusão para ser usada como propaganda eleitoral. Com previsão para 220 leitos, o Hospital da Cidade oferece hoje apenas 160. A título de comparação, o Hospital Metropolitano, no Benedito Bentes, foi construído com investimento próprio do governo do Estado no valor de R$ 81,6 milhões e oferece 223 leitos, sendo 36 de UTI.

Além do Hospital Metropolitano, nos últimos 6 anos o governo do Estado construiu outras 3 unidades de grande porte em Maceió — o Hospital da Mulher, o Hospital da Criança e o Hospital do Idoso — destinados a desafograr o fluxo do HGE, e mais 4 hospitais regionais em Porto Calvo (Norte), União dos Palmares (Mata), Delmiro Gouveia (Alto Sertão) e Arapiraca (Agreste).

Enquanto JHC insiste na criação de um cenário de decadência da saúde pública em meio ao maior ciclo de investimentos no setor registrado na história de Alagoas, o hospital comprado por ele é alvo de investigações da Polícia Civil por omissão e negligência, contrastando com o discurso eleitoreiro do candidato ao governo.